Entrevista exclusiva com Rafael Bittencourt sobre o show de 30 anos do disco Holy Land do Angra

Entrevista exclusiva com Rafael Bittencourt sobre o show de 30 anos do disco Holy Land do Angra

Rafael Bittencourt, guitarrista e fundador do Angra, bateu um papo exclusivo sobre a história da banda, o clássico Holy Land e a turnê que celebra os 30 anos de um dos álbuns mais importantes do metal brasileiro. E tem mais: o Angra chega a Porto Alegre no dia 27 de setembro, para um show especial no Auditório Araújo Vianna!

1. “Nothing to Say”, “Carolina IV”, “Make Believe” e “Z.I.T.O.” são faixas que ajudaram a definir a identidade do Angra. Para você, qual música de Holy Land melhor representa a essência da banda e por quê?
“Acho que a música Carolina IV representa bem nossa identidade, pois tem todos os elementos que compõem o rol de referências: começa com bastante brasilidade, ritmo, letra em português, referências aos orixás e elementos da cultura brasileira, melodias inspiradas na música Mineira e afro sambas. É uma música extensa com muitas passagens inspiradas no rock progressivo dos anos 70 e conta com a participação de todos os integrantes da banda na composição. De repente surge um Speed metal com mistura de música erudita com a citação de um tema do Hermeto Pascoal. Em termos de representatividade do nosso estilo acho que essa é um bom resumo do que somos.”

2. Em Holy Land, o Angra misturou heavy metal, música clássica e elementos da música brasileira de uma forma muito particular. O que você acredita que tornou essa combinação tão marcante e atemporal?
“A grande autoconfiança de que podíamos experimentar e até provocar um pouco o público mais conservador, a competência adquirida pela formação acadêmica e a experiência da gravação do primeiro álbum. Naquele momento, tudo ficou mais claro na nossa cabeça e nos vimos com uma grande vantagem diante das bandas concorrentes do nosso estilo.”

3. Três décadas depois, revisitar Holy Land no palco deve trazer muitas lembranças. O que mudou no Angra desde 1996 e o que continua exatamente igual na essência da banda?
“As diferenças estão na formação e o mundo que vivemos, hoje o estilo de vida é muito diferente da época em que fizemos este álbum. Além de não existir a internet, na época pudemos nos isolar num sítio sem televisão e sem telefone. Pode imaginar isto? Então hoje somos pessoas diferentes num mundo novo, mas, com muita competência para imprimir suas características musicais com respeito ao legado que já foi construído. E, estou sempre por ali para lembrar as premissas iniciais que motivaram a construção da banda.”

4, Uma turnê de 30 anos não é apenas uma celebração do passado. O que o Angra quer que o público descubra ou redescubra ao ouvir Holy Land ao vivo em 2026?
“O Angra é uma banda com muitas camadas que viveu diferentes momentos com diferentes formações, portanto, temos um legado muito rico e variado. Mas quando recorremos e redescobrimos um álbum como Holy Land, mostramos que nossos alicerces são muitos sólidos, e mesmo para um público que não viveu esta época, mostramos nossas bases, reforçando que há décadas fazemos isso com competência musical e artística.”

5, Se vocês pudessem voltar ao estúdio em 1996 e dar um único conselho para aquela formação do Angra antes de gravar Holy Land, qual seria?
“As dores e sacrifícios deste momento passarão e o resultado mudará a história do rock brasileiro.”

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